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sexta-feira, 14 de junho de 2024

Estratégia Chinesa

 Nos últimos 20 anos, o investimento tem sido uma das principais estratégias econômicas da China. O investimento chinês no exterior tem crescido muito rapidamente nos últimos anos, atingindo 123,12 bilhões de dólares em 2015. Até meados de abril de 2016, outros 110 bilhões de dólares foram investidos no estrangeiro. Para os investidores estrangeiros, no entanto, a China não é mais um destino atraente, e para os chineses o investimento no exterior é mais uma forma de encontrar um refúgio do que buscar retornos elevados.

A verdadeira razão por trás das saídas de capitais da China é tentar evitar ou minimizar perdas substanciais na desaceleração econômica que enfrenta o país.

Investimento estrangeiro deixa a China

Desde 2009, a grande maioria dos investidores estrangeiros na China tem reduzido seus investimentos, saído completamente do mercado chinês ou desinvestido. Apenas na cidade manufatureira de Dongguan, 72 mil empresas fecharam entre 2008 e 2012. Em 2014, pelo menos outros quatro mil negócios fecharam e, em outubro de 2015, mais de duas mil empresas com financiamento de Taiwan partiram de Dongguan, deixando cinco milhões de trabalhadores desempregados.

O investimento estrangeiro tem recuado de diferentes maneiras, mas por uma única razão: as fábricas na China não são mais rentáveis. Um tempo atrás, as Câmaras de Comércio dos Estados Unidos e da União Europeia na China publicaram um relatório reclamando sobre a deterioração do ambiente de investimento da China. Uma queixa dos EUA foi que a China havia estabelecido “restrições” para limitar as empresas norte-americanas na China. Estas restrições incluíam o governo chinês lançar uma série de investigações sobre empresas estrangeiras e usar sua lei de segurança nacional para limitar o uso de tecnologias estrangeiras, o que danificou seriamente a confiança das empresas estrangeiras. Ambos os relatórios citaram uma longa lista de dados para ilustrar seus argumentos.

Como se para apoiar estas queixas, no final de maio de 2016, cinco prestigiadas empresas globais de manufatura anunciaram planos para desinvestir ou sair da China: entre elas, a Chicheng Communication, a maior produtora de coberturas metálicas para telefones móveis do mundo; Dongguan Xinda, o fabricante da mascote das Olímpiadas de Londres; Triumph International, uma conhecida empresa alemã em Yancheng, província de Jiangsu; e uma subsidiária de iluminação da Philips em Shenzhen.

Investimentos chineses no estrangeiro

A maioria do investimento chinês no exterior é feita por empresas estatais. Embora, de acordo com alguns relatos, 90% destes investimentos tenham resultado em perdas, é a estratégia do regime solucionar o problema da alta dependência da China de recursos externos.

O capital privado chinês também tem buscado projetos de desenvolvimento e altos lucros em outros países. Em 2011, as empresas privadas foram responsáveis por apenas 11% do investimento chinês no exterior. Mas em 2015 esse valor subiu para 41,2%. No entanto, observando os projetos e países de destino dos investimentos, torna-se evidente que o objetivo principal do capital privado chinês indo para o estrangeiro visa à segurança econômica e não o investimento industrial.

De acordo com o Relatório do Mercado de Investimento Estrangeiro da China de 2015, o investimento no exterior da China em imóveis cresceu 41,5% em 2015, para um recorde de 21,37 bilhões de dólares. A Malásia absorveu a maior fatia do capital chinês de investimento destinado ao desenvolvimento da terra, ou cerca de 2,52 bilhões de dólares, seguida por Hong Kong, Estados Unidos, Austrália e Singapura.

Em abril deste ano, o Grupo Rhodium e a Comissão Nacional de Relações EUA-China emitiram em conjunto o relatório “Novos Vizinhos—Atualização de 2016”. O documento observa que a partir do final de 2015, o número de empresas de financiamento chinês nos Estados Unidos atingiu mais de 1.900, espalhando-se por 362 dos 435 distritos eleitorais e empregando diretamente cerca de 90 mil funcionários em tempo integral nos EUA. As áreas principais de investimento são imóveis, finanças, tecnologia, cinema e entretenimento, e energia.

O relatório não mencionou que há um grande número de investimentos feitos no âmbito do Programa Investor Imigrante EB-5. Por exemplo, os projetos da Roda Panorâmica de Nova York em 2014, com um financiamento total de 380 milhões de dólares, recebeu investimento de centenas de chineses.

Os EUA atraem o maior volume do capital chinês, muito dele fluindo por meio do Programa Investor Imigrante EB-5. Até ao final do terceiro trimestre de 2015, o Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) havia aprovado 6.498 aplicações do tipo EB-5, e a grande maioria era de investidores chineses.

Podemos concluir que o verdadeiro propósito da saída de capitais chineses da China é para resguardar-se contra crises econômicas. Se você acha que os pontos acima não são fortes o suficiente, aqui está outra notícia fresquinha: em maio, as importações da China por meio de Hong Kong aumentaram 242% ano-a-ano. Aqueles que estão cientes das atividades de lavagem de dinheiro da China sabem que este negócio de importação e exportação é fictício, e tem o objetivo na verdade de mover ativos para o estrangeiro.

A transferência de ativos para o estrangeiro resulta em perdas no mercado de câmbio, e o mercado de câmbio pode se tornar um grande problema para a economia chinesa. Isso levanta a questão se o governo chinês realmente incentiva o investimento no exterior.

O governo chinês definitivamente não quer essas saídas de capital privado em larga escala. Os planejadores financeiros do regime compreendem que a rápida perda de reservas cambiais produzirá riscos nos principais mercados, incluindo ações, títulos, imóveis, obrigações, fundos privados, etc., e eles também aumentam os riscos para o setor financeiro da China.

Mas há várias razões por que o governo chinês não pode colocar restrições às saídas de capital. Em primeiro lugar, Pequim ainda está fazendo esforços para atrair o investimento estrangeiro. Assim sendo, o regime não pode proibir a saída de dinheiro. Em segundo lugar, aqueles que têm enormes volumes de dinheiro para transferir são membros do Partido Comunista e seus familiares. Então, os políticos chineses só podem colocar restrições em outras áreas, como planejar a coleta de impostos sobre as transações financeiras para estabilizar a volatilidade do mercado de capital e evitar riscos financeiros.

Em resumo, o investimento de capital chinês inundando o mundo, que supostamente incentivaria a economia chinesa, não está tendo um resultado tão bom quanto o apontado pela mídia ocidental. Há ressentimento e frustração se acumulando por trás da estratégia de Pequim de “ir ao estrangeiro”.

He Qinglian é uma proeminente autora e economista chinesa. Ela vive atualmente nos Estados Unidos e é autora do livro “The Fog of Censorship: Media Control in China” entre outros. Ela escreve regularmente sobre questões sociais e econômicas da China contemporânea.


Exercito 2030

 

) REAÇÕES INTERNACIONAIS AO PROTAGONISMO BRASILEIRO

O mundo convive com vários focos de instabilidade, como os conflitos no Oriente Médio, na Ásia e no Continente Africano, com conseqüentes riscos à paz global. Além destes, delineia-se no futuro uma disputa pelo controle de recursos estratégicos (hidrocarbonetos, água, minérios, biodiversidade, etc.), dos quais o Brasil é um dos grandes detentores.
Enquanto países desenvolvidos mantêm suas posições usando o poder que detêm ou construindo acordos internacionais favoráveis a seus interesses, nações em desenvolvimento têm de lutar por acesso a novas oportunidades.
Embora não esteja envolvido em conflitos de vulto, o Brasil está inserido nesse contexto de desafios e pretende modificar sua posição no jogo internacional, superando barreiras típicas de quem se localiza na periferia do poder mundial. Esta atitude brasileira poderá propiciar o surgimento de situações conflituosas decorrentes de reações dos países forçados a ceder espaços e da própria cobiça internacional pelo grande volume de recursos naturais do País.
A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, as reações internacionais ao protagonismo brasileiro intensifiquem-se ao ponto de criar obstáculos à consecução dos interesses nacionais.

2) RECONHECIMENTO EXTERNO DO PODER NACIONAL BRASILEIRO

O processo decisório desencadeado nos organismos multilaterais ou nas relações bilaterais cria situações que podem restringir ou facilitar a inserção internacional do Brasil como ator global.
Atendendo a legítimos interesses nacionais, a política externa brasileira se empenha para levar o Brasil a participar, significativamente, da elaboração da agenda internacional. Daí decorre o pleito por uma posição de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e a busca de acordos com blocos econômicos e grupos de países, visando à crescente inserção do País na construção daquela agenda.
As reuniões do G-20, pelo seu simbolismo político, parecem sinalizar para mudanças nas relações de poder mundial, cujos desdobramentos futuros poderão levar à emergência de novos pólos de poder. Os líderes dos países mais ricos perceberam que o enfrentamento dos grandes problemas globais dependem de coordenação política que envolva os países emergentes.
Nas relações internacionais, os estados costumam ter êxitos quando dispõem de poder nacional que respalde suas posturas – o que ainda não é, efetivamente, o caso do Brasil, em especial quanto ao componente militar do poder nacional.
A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, o Brasil passe a dispor de poder nacional reconhecido internacionalmente ao ponto de ser capaz de respaldar suas pretensões de maior participação no processo decisório mundial.

3) NEUTRALIZAÇÃO DAS PRESSÕES INTERNACIONAIS SOBRE A AMAZÔNIA

As pressões internacionais sobre a Amazônia têm aumentado, sob a alegação de uma suposta defesa de “interesses maiores da humanidade”.
Países, autoridades e organizações estrangeiras ocultam suas pretensões em relação à importância geoestratégica e às riquezas da região, simulando preocupações com o desenvolvimento da área. Sugerem “direitos de ingerência”, insinuando não ter o Brasil capacidade de cuidar do patrimônio amazônico, com ênfase para o meio ambiente e a questão indígena.
A ameaça é de tentativa de imposição de soberania “compartilhada” mediante aplicação de diretrizes e pelo uso privilegiado dos recursos da região, deixando ao Brasil o ônus da administração sob fiscalização estrangeira.
A neutralização dessas pressões extrapola o campo militar, dependendo muito mais de ações governamentais nos campos político, psicossocial e econômico.
A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, as ações implementadas pelo governo brasileiro no sentido da proteção e do desenvolvimento sustentável da Amazônia brasileira tenham sido eficazes ao ponto de neutralizar as pressões internacionais sobre a região.

4) INTERESSE INTERNACIONAL SOBRE ÁREAS ESTRATÉGICAS DO BRASIL

É interesse vital das potências de primeira ordem assegurar o acesso às regiões do mundo de valor geopolítico e onde estejam recursos naturais necessários ao seu desenvolvimento e manutenção do status quo.
O Brasil, além da Amazônia, tem outras regiões que podem ser alvo da cobiça internacional, pela riqueza ou posição estratégica. Entre essas áreas, destacam-se: a faixa de fronteira, a plataforma continental atlântica (jazidas de petróleo, biodiversidade, minerais,etc), o “saliente nordestino” e o Aquífero Guarani.
A liderança nacional atribui pouca importância e a sociedade tem dificuldade em perceber a ameaça embutida no interesse internacional, o que se reflete na baixa prioridade conferida ao setor de defesa do País.
A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, as áreas estratégicas do Brasil sejam alvo de crescente interesse internacional ao ponto de suscitar ações por parte do Estado brasileiro para manter e reforçar sua soberania sobre essas áreas.

5) FORTALECIMENTO DA INTEGRAÇÃO DA AMÉRICA DO SUL

Coerente com princípio constitucional, a iniciativa brasileira de integração regional foi iniciada pela constituição do MERCOSUL e ampliada pelos macroprojetos de integração física da região, estruturados e implementados pela Iniciativa para a Integração Regional Sulamericana (IIRSA), e por empreendimentos de integração energética, dentre outros. O estabelecimento da UNASUL, que surge com o objetivo de construir um espaço de integração e união no âmbito cultural, social, econômico e político entre os países da América do Sul, é mais um marco do processo de integração regional. A criação do Conselho de Defesa Sulamericano (CDS) poderá contribuir para intensificar as medidas de cooperação e confiança mútua entre os setores de defesa dos países da região.
A questão se refere à probabilidade de que, até 31 de dezembro de 2030, o processo de integração regional evolua ao ponto de permitir a efetiva consolidação da integração da América do Sul.

6) OCORRÊNCIA DE CONFLITOS NA AMÉRICA DO SUL

A paz na América do Sul, considerada uma das regiões do mundo menos sujeita a conflitos armados, pode vir a ser ameaçada pela instabilidade política e social existente em alguns países, pela ação de movimentos de cunho ideológico que apelam para a violência e pelas tensões latentes entre países limítrofes. Com isso, considera-se a possibilidade do Exército Brasileiro vir a participar de conflitos na região, integrando ou não organismos internacionais, como Força de Paz ou em defesa dos interesses nacionais.
A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, ocorram conflitos na América do Sul ao ponto de envolver militarmente o Brasil.

7) AGRAVAMENTO DA QUESTÃO AMBIENTAL

As questões ambientais têm adquirido importância crescente na agenda internacional, envolvendo temas como as mudanças climáticas, as catástrofes ambientais e as consequencias sociais e econômicas decorrentes.
A ocupação e a exploração de recursos naturais nos principais biomas do território brasileiro, com reflexos no meio ambiente, poderão agravar a questão ambiental no Brasil, gerando inclusive reações internacionais.
No Brasil, a participação do Exército contra delitos ambientais, na faixa de fronteira terrestre, está prevista na Lei Complementar Nr 117, de 2 de setembro de 2004.
A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, as questões ambientais e as mudanças climáticas tenham se agravado, ao ponto do controle e monitoramento ambiental venha a ser institucionalizado como atribuição, também, das Forças Armadas.

8 ) OCORRÊNCIA DE ATIVIDADES TERRORISTAS EM TERRITÓRIO BRASILEIRO

O Brasil, até o presente, tem se mantido a salvo de ações terroristas, nos moldes praticados por grupos em conexão com redes internacionais, com a finalidade de desestabilizarem Estados ou deles se vingarem em proporções que causem a generalização do pânico em suas populações. Apesar disso, não se afasta a possibilidade de que iniciativas do governo brasileiro venham a gerar disputas e maior exposição do País no cenário internacional.
Essa exposição tende a ser ampliada em face dos grandes eventos esportivos que o Brasil sediará os Jogos Mundiais Militares(2011), a Copa das Confederações (2013), a Copa do Mundo (2014), e as Olimpíadas (2016) e da crescente posição de proeminência do País no contexto mundial.
A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, atividades terroristas venham a ocorrer também no Brasil.

9) AGRAVAMENTO DA PROBLEMÁTICA DA SEGURANÇA PÚBLICA BRASILEIRA

As limitações e carências dos órgãos de segurança pública e o aumento do poder e da violência de grupos ligados ao crime organizado, ou a ilícitos transnacionais, contribuem para agravar a problemática da segurança pública brasileira e criam um ambiente propicio à demanda para emprego das Forças Armadas em segurança pública, ainda que em caráter eventual.
A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, a problemática da segurança pública brasileira se agrave ao ponto de ser institucionalizado o emprego das Forças Armadas.

10) DESENVOLVIMENTO DE UMA MENTALIDADE DE DEFESA NO BRASIL

A sociedade brasileira não demonstra grande interesse pelos assuntos diretamente ligados à defesa nacional e o tema não é prioritário para as lideranças e os formadores de opinião do País.
A Estratégia Nacional de Defesa apresenta dentre suas metas a de desenvolvimento de uma mentalidade de defesa na sociedade. Nesse sentido, o Ministério da Defesa e as Forças Armadas vêm desenvolvendo iniciativas como programas de incentivo, congressos, seminários e simpósios, dentre outras.
A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, os assuntos de defesa passem a fazer parte da agenda nacional ao ponto de influenciar decisivamente as políticas governamentais.

11) FORTALECIMENTO DA INDÚSTRIA DE DEFESA DO BRASIL

O fortalecimento da indústria de produtos de defesa no Brasil se constitui em peça fundamental na redução das vulnerabilidades militares do País. Anseia-se que ela seja capaz de produzir parcela significativa dos materiais e equipamentos estratégicos com tecnologia agregada que atenda às necessidades das FA. Isso, no entanto, esbarra em desafios de toda ordem. Grandes conglomerados da indústria de defesa dos países mais ricos bloqueiam tentativas de desenvolvimento das empresas similares dos países menos poderosos.
O aumento dos investimentos em C&T, a competitividade dos materiais produzidos pela indústria de defesa, a transferência de tecnologia (offset) e o aumento do poder de compras das FA são os principais fatores para o fortalecimento da base industrial de defesa brasileira, contribuindo para a redução do hiato tecnológico e para a nacionalização dos materiais de defesa.
A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, ocorra o fortalecimento da base industrial de defesa brasileira ao ponto de suprir no mínimo 50% das necessidades de material de defesa das Forças Armadas.

12) CRESCIMENTO E SEGURANÇA DE FLUXO DO ORÇAMENTO DO EXÉRCITO BRASILEIRO (EB)

A crescente projeção internacional do Brasil indica a necessidade de um poder militar bem equipado e adestrado.
A eficiência operacional das Forças Armadas é dependente de orçamento compatível e constante. Nas últimas décadas, a escassez dos recursos alocados para o Exército Brasileiro tem redundado em deterioração cada vez mais séria de sua operacionalidade.
Além disso, o orçamento do EB ainda sofre retardamentos, contingenciamentos e considerável volume de recursos são inscritos em restos a pagar, dificultando o cumprimento da sua destinação constitucional.
A questão se refere à probabilidade de que, até 31 de dezembro de 2030, o governo aumente os recursos orçamentários e assegure um fluxo mínimo destinado a investimentos do Exército Brasileiro.

13) ADEQUAÇÃO DA INFRAESTRUTURA CRÍTICA ÀS NECESSIDADES DE DEFESA

Os sistemas nacionais que constituem a infraestrutura crítica do Brasil, em especial energia, transportes e comunicações não podem entrar em colapso, pois são indispensáveis ao desenvolvimento do País, devendo também observar às necessidades de defesa nacional.
Atualmente, as obras de infraestrutura crítica não atendem na sua plenitude às necessidades de defesa, acarretando prejuízo ao planejamento estratégico operacional das FA, sobretudo no que tange a comando e controle, mobilização, logística, mobilidade estratégica e outras
O Exército dentre suas atividades subsidiárias executa obras da infraestrutura, mas não participa do planejamento de políticas públicas de forma a adequar as obras realizadas às necessidades de defesa.
A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, ocorra a adequação da obras de infraestrutura crítica do Brasil para atender às demandas de defesa do país.

14) AGRAVAMENTO DA CRISE DE VALORES NA SOCIEDADE NACIONAL

A História da humanidade tem mostrado que um dos alicerces da grandeza das nações é o respeito a um código tácito de valores morais e éticos. Riqueza, desenvolvimento e poder político, isoladamente, não lhes conferem coesão, bem-estar ou autorrespeito, nem lhes sustentam em desafios extremos.
Nações com vocação de grandeza cultuam pátria, liberdade, honestidade, dever, justiça, vida, família, educação, dignidade e disciplina, entre outros, como sínteses de princípios morais inspiradores de nobres ideais.
A sociedade brasileira enfrenta uma crescente crise moral com desprezo por aqueles e outros valores, disseminada sensação de impunidade e desrespeito ao princípio da autoridade, afetando com isso a coesão nacional.
A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, a crise de valores na sociedade nacional se agrave ao ponto de contaminar as Forças Armadas.

15) AUMENTO DA INFLUÊNCIA DE ATORES NÃO GOVERNAMENTAIS

Atores não governamentais – ONGs, empresas transnacionais, movimentos sociais e organismos internacionais – têm assumido papéis ativos em temas sociais, culturais, econômicos, ambientais, de direitos humanos e outros. Desvencilhando-se agilmente da burocracia, alguns aproveitam as fragilidades do Estado e ocupam espaço crescente na sociedade brasileira, como se fossem parte do aparato oficial.
Vários deles são prestigiados, pois declaram estar a serviço de causas nobres: culturais, religiosas, comunitárias, ambientalistas, educacionais, de direitos humanos ou de defesa de minorias. Embora alguns deles não se submetam à aprovação popular, procuram influenciar, cada vez mais, a opinião pública e as decisões políticas, trazendo reflexos para todos os campos do poder nacional.
A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, os atores não governamentais tenham poder sobre o governo ao ponto de influir nas decisões relativas à segurança e defesa.

16) AGRAVAMENTO DAS TENSÕES SOCIAIS

Apesar dos esforços de sucessivos governos e da perceptível melhoria da qualidade de vida da classe mais pobre da população – fator relevante para a paz social -, continuam a existir desigualdades sociais e regionais, motivadas por questões ligadas ao desemprego, déficit habitacional, saneamento básico, saúde pública e educação.
Além disso, a problemática das tensões sociais no Brasil envolve outros fatores, como a ausência do Estado em algumas áreas críticas, a luta pela terra, as questões indígenas e quilombola, os problemas ligados à violência urbana, o crescimento desordenado das grandes cidades e a questão da segurança alimentar.
A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, o agravamento das tensões sociais seja de tal vulto que venham a comprometer a lei e ordem no Brasil.

www.forte.jor.br



quarta-feira, 10 de junho de 2020

Números em um pobre país


Pobre pais rico que não conhece o número de brasileiros que vivem sem certidão de nascimento
Pobre pais rico que não conhece o número de brasileiros sem CPF
Pobre pais rico que não conhece o número de brasileiros sem casa para morar sem agua para beber ou luz eletrica
Pobre pais rico que não conhece o número de brasileiros sem terra para plantar ou sem saneamento básico 
Pobre pais rico que não conhece o número de brasileiros sem acesso a saúde, transporte e escola
Pobre pais rico que não conhece o número de brasileiros sem emprego, sem comida e sem  lar
Será que números são apenas números
Pobre pais rico que não conhece o número de mortos, por câncer,  problemas cardíacos, acidente e até mesmo por morte natural Pobre pais rico que não sabe e não conhece seus números de infectados pelo Covid 19, Dengue ou, Chikungunya.
Pobre pais rico que não conhece o numero de leitos necessários para curar seus filhos
Pobre país rico que desconhece seus números

NeyJornalista
Antigo Integrante do 2BPE
Infante, combatente, Policial do Exército


quarta-feira, 15 de abril de 2020

Coronavírus: 6 medidas antes de flexibilizar o isolamento social


A Organização Mundial da Saúde listou critérios a serem preenchidos antes de afrouxar o distanciamento social. Veja como o Brasil está em cada um.
Uma revisão de 29 estudos do Instituto Cochrane mostra que a quarentena e medidas de isolamento social reduzem de 31 a 63% o número de mortes por coronavírus (Sars-CoV-2). Se a eficácia dessas estratégias é inegável, restam dúvidas sobre qual o momento ideal de flexibilizá-las. Daí porque a Organização Mundial da Saúde (OMS) listou seis critérios que devem ser preenchidos antes de começar a afrouxar paulatinamente o controle de movimentação da população.
Esses itens foram criados pensando mais em países da Ásia e da Europa, onde a pandemia se disseminou antes do que aqui. Portanto, o número de novos casos e óbitos de Covid-19 por dia começa a diminuir em boa parte das nações dessas regiões.
Uma pesquisa chinesa publicada no The Lancet sugere que um relaxamento prematuro das políticas de isolamento social culminaria em um crescimento rápido de mortes pelo coronavírus — e desperdiçaria parte do esforço conjunto de antes. “Uma decisão precoce pode acelerar a transmissão e gerar uma segunda onda de infecções”, escreveram os cientistas Shunqing Xu e Yuanyuan Li, da Universidade de Ciência e Tecnologia Huazhong, em um comentário sobre esse estudo.
1) Transmissão do vírus controlada: no Brasil, o número de novas mortes registradas em um dia bateu recorde hoje, 14 de abril. São 204 falecimentos.
2) Sistemas de saúde com capacidade de detectar, testar, isolar e tratar todas as pessoas com coronavírus e os seus contatos mais próximos: nosso país realizou apenas 296 testes a cada 1 milhão de habitantes, segundo o site Worldometer. Ocupamos a 131ª posição nesse quesito.
3) Controle de surtos em locais especiais, como instalações hospitalares: boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde demonstram preocupação com a incidência de infecções em médicos e outros profissionais, além de admitir que pode haver falta de equipamentos de proteção individual, como máscaras.
4) Medidas preventivas de controle em ambientes de trabalho, escolas e outros lugares onde as pessoas precisam ir: não houve uma ampla discussão sobre o assunto no Brasil.
5) Manejo adequado de possíveis novos casos importados: as fronteiras brasileiras já estão cheias de restrições. Mas, sem capacidade de testagem rápida, fica difícil frear efetivamente pessoas infectadas vindas de fora.
6) Comunidade informada e engajada com as medidas de higiene e as novas normas: há registros em São Paulo e em outras cidades de pessoas se manifestando contra as medidas sociais, além de aglomerações desnecessárias. Isso sugere que ainda há bastante gente negligenciado a pandemia de coronavírus.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Continua sem solução



O que se sabe até agora sobre o derramamento de petróleo no Nordeste
Por Ana Rita Cunha e Bruno Fávero

O derramamento de petróleo na costa brasileira já atingiu 546 localidades, das quais apenas 226 foram registradas como limpas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) até esta quinta-feira (14).
Nesta semana, o desastre que começou no Nordeste se expandiu também para o Sudeste, atingindo praias no Espírito Santo. Ao menos 14 unidades de conservação foram afetadas, matando animais e prejudicando a economia da região.
Ainda não se sabe quem foi o responsável pelo desastre. A Polícia Federal apontou no começo do mês o navio petroleiro grego Bouboulina, da Delta Tankers, como principal suspeito, mas as investigações ainda não foram concluídas. Técnicos da Universidade Federal de Alagoas e de uma empresa especializada em derramamentos dos EUA contestaram as conclusões dos investigadores. A Delta Tankers nega envolvimento no desastre.
As primeiras manchas apareceram na Paraíba e em Sergipe no fim de agosto e depois se espalharam para os outros lugares. Em ao menos cem dos locais afetados, o óleo havia desaparecido na visita mais recente feita por técnicos.
O derramamento causou danos a ecossistemas da região. O Ibama registrou 135 animais atingidos, dos quais 95 morreram, e recolheu preventivamente mais de 3.400 filhotes de tartaruga da Bahia, Sergipe e Rio Grande do Norte. O ICMbio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) afirmou que 14 unidades de conservação federais foram afetadas.
Atividades que dependem do mar, como a pesca, também foram prejudicadas. O governo liberou o pagamento fora de época de seguro-defeso (benefício pago a pescadores na época de reprodução dos peixes, em que a pesca fica proibida) a trabalhadores das áreas atingidas. Estima-se que até 60 mil pessoas poderão reivindicar o dinheiro, o que representaria um custo de R$ 130 milhões.
O principal suspeito
Mais de dois meses desde que as primeiras manchas de óleo foram vistas no litoral brasileiro, a Polícia Federal apontou no começo do mês o possível culpado: o navio petroleiro Bouboulina, da empresa grega Delta Tankers.
A empresa nega envolvimento e, recentemente, pesquisadores da Ufal (Universidade Federal de Alagoas) anunciaram ter encontrado imagens de manchas de óleo no mar dois dias antes da passagem do navio grego pela região.
Ao Estadãoa empresa americana Skytruth, especializada em análises do mar por satélite, também disse não ver evidências que de o Bouboulina seja responsável pelo desastre.
Os investigadores, porém, mantém sua versão. Segundo eles, a embarcação atracou na Venezuela em 15 de julho, onde ficou por três dias, e de lá foi para a África do Sul. Nesse trajeto é que o derramamento teria acontecido, a 700 km da costa brasileira nos dias 28 ou 29 de julho.
A investigação teve três frentes, segundo o juiz que autorizou a operação da PF. Na primeira, foram realizadas análises químicas do petróleo recolhido nas praias. Laudos da Petrobras e da UFBA (Universidade Federal da Bahia) apontaram que o material havia sido produzido em campos da Venezuela. A conclusão levou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a insinuar que o governo de Nicolás Maduro poderia ter responsabilidade pelo derramamento, o que a própria Marinha negou.
Na segunda frente, estimou-se onde a mancha teria começado, com base em análise de imagens de satélites e estudos das correntes marítimas feitos com ajuda da empresa Hex Tecnologias Geoespaciais.
Finalmente, essas informações foram cruzadas com dados do tráfego de navios na região, e os investigadores concluíram que o Bouboulina era o único que havia passado no local na data estimada do derramamento.
A investigação ainda não terminou porque ainda restam perguntas sem resposta, como, por exemplo, a quem pertencia o petróleo sendo transportado e se o derramamento foi ou não proposital.
A determinação do culpado é importante, entre outros motivos, porque, segundo a legislação brasileira, cabe a ele pagar pelo prejuízos causados pelo desastre.
Reação lenta
Há indícios de que o governo tenha demorado para responder ao derramamento, embora haja pouca transparência sobre o que foi feito. Um decreto de 2013 prevê que, quando há um derramamento de óleo, Ibama, ANP (Agência Nacional do Petróleo) e Marinha monitorem a situação e decidam em conjunto se deve ser acionado o PNC (Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo), protocolo a ser seguido em vazamentos de grandes proporções.
Essas três entidades formam o chamado GAA (Grupo de Acompanhamento e Avaliação). Segundo o governo, esse grupo foi formado assim que a primeira mancha de óleo foi avistada, na Paraíba, em 30 de agosto. O PNC, no entanto, só foi acionado 38 dias depois, em 8 de outubro, segundo documento obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo. Contatados por Aos Fatos, nenhum dos três órgãos se manifestou sobre o porquê da demora.
Em entrevista à GloboNews, o ministro Ricardo Salles afirmou que o acionamento do PNC é apenas uma formalidade e que todas as medidas práticas previstas já estavam sendo tomadas.
É difícil avaliar se a afirmação dele é verdadeira ou não porque o manual do PNC, que detalha os procedimentos a serem adotados nessa situação, nunca foi tornado público, apesar de isso ter sido previsto para 2014, segundo o decreto de 2013.
O jornal O Globo teve acesso a uma versão do manual – que, segundo a reportagem, foi compartilhado apenas entre as cúpulas do Ministério do Meio Ambiente, do Ibama, da Marinha e da ANP – e concluiu que o governo federal violou ao menos oito procedimentos previstos no documento.
Outros fatos sugerem que o governo teve uma reação lenta. A Marinha só passou a fazer atualizações regulares sobre a situação das praias do Nordeste a partir de 8 de outubro. Já o Ibama, a partir de 25 de setembro – e só no dia 24 de outubro é que o órgão publicou um panfleto com instruções básicas para voluntários, como os cuidados necessários para manipular o óleo.
O esforço dos governos
governo federal diz que 4.950 militares da Marinha e 5.000 do Exército estão atuando nas áreas afetadas. Além disso, 440 funcionários da Petrobras, 140 servidores do Ibama e 80 do ICMBio estão trabalhando nos locais.
Além de remover o petróleo das praias afetadas, esses órgãos trabalham patrulhando a costa com embarcações e aeronaves à procura novas manchas de óleo. Ainda segundo o governo, foi disponibilizada uma frota de 34 navios, 22 aeronaves e 140 viaturas para ajudar nos trabalho.
Há ainda a investigação criminal, na qual a Polícia Federal está envolvida, para tentar chegar ao responsável pelo derramamento.
Prefeituras e governos dos estados afetados também trabalham, mas não há números centralizados sobre suas atuações. Pernambuco, por exemplo, abriu um edital de R$ 2,5 milhões para medir o impacto ambiental do desastre e disponibilizou 400 funcionários para ajudar nos trabalhos. Já a Bahia Pesca, órgão estadual, anunciou que está fazendo um estudo com 200 peixes para determinar se é seguro consumi-los.
O papel das ONGs
De novo, o governo Bolsonaro se voltou contra ONGs (Organizações Não Governamentais) durante uma crise ambiental, como já havia acontecido durante os incêndios na Amazônia.
Sem apresentar evidências, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chegou a insinuar em tweet que um navio do Greenpeace poderia ter responsabilidade pelo desastre, pois um barco da ONG "estava justamente navegando em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro bem na época do derramamento de óleo venezuelano". Depois, voltou atrás e disse que a ONG tinha um navio perto do local onde foram encontradas manchas de óleo e "não se prontificou" a ajudar.
Em todo caso, o Greenpeace, outras organizações não governamentais e redes de voluntários locais estão atuando na resposta ao desastre ambiental. Abaixo, há uma lista com nove organizações, compilada por Aos Fatos, com atividades programadas nas regiões afetadas.